Numa das conferências de imprensa mais aguardadas dos últimos anos no Estádio da Luz, o presidente do Benfica, Rui Costa, quebrou o silêncio para esclarecer a profunda reestruturação técnica que abalou o clube.
O líder encarnado explicou detalhadamente os bastidores da saída de José Mourinho, a escolha de Marco Silva como o novo timoneiro e abordou ainda a atualidade financeira e de mercado da SAD.
Rui Costa revelou que a relação com José Mourinho decorreu com total normalidade ao longo da época, mas o cenário mudou drasticamente com o forte interesse do Real Madrid. O presidente garantiu que a estrutura acompanhou os rumores, mas o Benfica só teve conhecimento concreto da decisão do técnico numa fase já muito avançada do processo. Apesar das reuniões e tentativas de entendimento nos dias que se seguiram, a vontade de Mourinho em regressar aos merengues foi definitiva, forçando o clube a uma reação rápida no mercado.
Confrontado com o impacto de um vídeo divulgado recentemente, que gerou visível desconforto e ruído no seio do clube, Rui Costa admitiu que certas aparições públicas não ajudaram a acalmar os ânimos num momento delicado. No entanto, o dirigente assegurou que não guarda qualquer ressentimento para com o carismático treinador, aproveitando a ocasião para elogiar o trabalho desenvolvido e agradecer publicamente o seu contributo ao serviço das águias.
No plano financeiro, o presidente confirmou que o clube tem uma verba importante de 15 milhões de euros que continua em falta nos cofres da Luz. Sem desvendar os pormenores dos processos em curso para reaver este montante, Rui Costa tranquilizou os associados, garantindo que a situação está sob controlo e que a estabilidade económica do Benfica não está em risco, existindo mecanismos jurídicos sólidos para defender os interesses da instituição.
A escolha de Marco Silva para assumir o comando técnico foi fundamentada após uma avaliação rigorosa do mercado. De acordo com o presidente, o novo treinador preenche todos os requisitos exigidos pelo projeto: forte conhecimento do futebol português, experiência internacional, pendor para o futebol ofensivo e apetência para valorizar jovens talentos. Rui Costa destacou ainda a enorme ambição e o compromisso imediato demonstrados pelo técnico para liderar o clube.
O líder das águias rejeitou categoricamente a ideia de que a próxima temporada seja de transição, sublinhando que o Benfica vai investir no plantel e lutar por troféus, mesmo com a ausência na Liga dos Campeões. Numa das declarações mais fortes da conferência, o presidente vincou a exigência do clube ao afirmar de forma categórica que têm de assumir que são candidatos ao título.
O vínculo contratual de Marco Silva foi blindado para garantir estabilidade à equipa técnica. O novo treinador assinou um contrato válido por duas temporadas, com mais uma de opção que será ativada automaticamente caso se sagre campeão nacional. Para prevenir surpresas futuras e proteger o clube, a direção fixou a cláusula de rescisão do técnico nos 15 milhões de euros.
Com o dossier do treinador fechado, a prioridade da estrutura passa agora pela remodelação do plantel no Seixal, sendo o reforço do setor defensivo a principal urgência face à saída confirmada do capitão Nicolás Otamendi para o River Plate. Marco Silva já se encontra a trabalhar na planificação da nova época e na avaliação dos ativos, incluindo os jovens da formação que têm mercado no estrangeiro, preparando o Benfica para atacar com ambição acrescida a temporada 2026/27.