Domingo, Junho 21, 2026
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Tânia Laranjo expõe choque com crime da madrasta que matou enteada: “Matou por ciúmes”

A jornalista da CMTV recorreu às plataformas digitais para expor a sua perplexidade perante as conclusões da investigação ao homicídio da criança de oito anos.

A investigação em torno da trágica morte de Lara, a menina de oito anos que foi assassinada pela madrasta, gerou uma tomada de posição pública por parte de Tânia Laranjo que, através das suas redes sociais, a jornalista da CMTV manifestou a sua profunda incompreensão e consternação perante as motivações do crime apontadas pelas autoridades judiciais, que colocam o sentimento de posse e a rivalidade no centro da tragédia.

A profissional começou por recordar as certezas partilhadas pelos investigadores e pela magistrada que avaliou o processo que envolve a arguida. “«Eulália matou por ciúmes. Quem o diz é a PJ, o Ministério Público e depois a juíza. E dizem sem dúvidas: Eulália tinha ciúmes do amor de Carlos por Lara. Foi por isso que a matou. Por ciúmes»“, escreveu Tânia Laranjo, evidenciando o choque com a tese validada pelo Tribunal.

A jornalista partilhou o seu espanto quanto à aplicação deste sentimento específico a uma situação que envolve uma menor de idade, desconstruindo a definição habitual do termo. “«Passei a vida a associar ciúmes a namorados, ex-namorados, colegas promovidos e vizinhos com piscinas. Nunca a uma criança de oito anos. Oito anos. Como se tem ciúmes de uma menina? Do quê exatamente? Do sorriso? Dos abraços ao pai? Dos desenhos tortos colados no frigorífico?»“, questionou, acrescentando que “«talvez a inocência tenha o estranho poder de expor as feridas dos adultos»“.

A reflexão da profissional da CMTV detalhou a desumanização implícita no comportamento de Eulália, que transformou a enteada num alvo. “«Continuo sem conseguir encaixar a palavra. Ciúmes. Quando a ouço, imagino alguém a vigiar mensagens no telemóvel. Não imagino alguém a olhar para uma criança e a vê-la como rival. Há algo de profundamente perturbador nisso. Porque, nesse instante, a criança deixa de ser criança. É transformada num obstáculo, numa ameaça, numa concorrente que nunca se candidatou a concurso nenhum»“, apontou no seu texto.

Para Tânia Laranjo, a lógica que conduziu ao desfecho fatal da vida de Lara ultrapassa os limites da compreensão social aceitável, rejeitando a ideia de que o carinho paternal possa ser limitado ou exclusivo. “«O que custa compreender é o caminho mental que permite a um adulto olhar para uma menina de oito anos e sentir aquilo que deveria sentir por uma adversária. Como se o afeto de um pai pudesse acabar por excesso de uso. Como se o abraço dado a uma filha fosse um abraço roubado a outra pessoa. Não consigo perceber»“, confessou a jornalista.

A partilha terminou com um aviso sobre a necessidade de a comunidade preservar os seus valores éticos essenciais perante este tipo de acontecimentos. “«Suspeito que há coisas que uma sociedade saudável nunca deveria conseguir perceber completamente. Porque o dia em que acharmos normal ter ciúmes de uma criança será o dia em que teremos desaprendido o significado da palavra humanidade»“, concluiu.

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