Steve McClaren revelou que o conflito entre Erik ten Hag e Cristiano Ronaldo no Manchester United teve origem na tentativa do treinador impor o seu modelo de jogo, sobretudo na pressão sem bola: «Erik Ten Hag tentou impor o seu estilo e foi por isso que teve aquela luta com o Ronaldo».
O adjunto contou ainda o aviso que deixou desde cedo: «Disse ao Erik desde muito cedo: ‘Ou és tu ou é ele’».
Apesar de considerar que o português estava globalmente bem, apontou a recusa em cumprir certas tarefas como o principal problema: «O Ronaldo, no geral, estava bem. Mas não queria fazer o trabalho que o Erik lhe pedia. Ou não se sentia capaz de o fazer». As indicações eram específicas: «Entra no meio, assim que recuares, és o primeiro a pressionar, depois faz uma corrida dupla, até uma corrida tripla de vez em quando».
McClaren recordou ainda conversas diretas com o avançado: «Eu costumava dizer ao Ronaldo: ‘Se queres jogar, é isto que tens de fazer’». Perante a resposta do jogador — «Ah, ninguém quer pressionar» —, contrapôs: «Bem, são todos jovens, eles conseguem pressionar».
A divergência acabou por dividir o balneário: «Provavelmente, tínhamos metade do plantel a pensar: ‘Achamos que o Ronaldo tem razão’, e a outra metade: ‘Achamos que o Erik tem razão’». Uma realidade distinta da vivida com Ferguson: «Bem, com Ferguson, ou ele tinha razão ou estavas fora. Se não estivesses com ele e ele soubesse, ias embora. E essa é a autoridade, o poder que desenvolveu ao longo de muitos e muitos anos».
O técnico comparou ainda o início de Ten Hag com o de Sir Alex: «Os problemas que tivemos com o Erik no início, o Fergie também os teve». E lembrou relatos do próprio escocês: «Ele contava-me histórias sobre lutar contra todos os que bebiam. O Fergie disse: ‘Lutei contra eles todos os dias, Steve’».
Recorda-se também a posição assumida por Cristiano Ronaldo em 2022, numa entrevista a Piers Morgan: «Para ser honesto, é algo que não compreendo. Os novos treinadores que aparecem pensam que encontraram a última Coca-Cola no deserto. Não compreendo. Respeito qualquer treinador que tenha uma abordagem ou mentalidade diferente, mas há pontos em que não se concorda. Sempre fui assim na minha vida».