O desfecho da temporada desportiva continua a deixar marcas profundas na Luz e a mais recente distinção oficial da Liga Portugal trouxe um murro no estômago para a estrutura encarnada.
Foi revelado o Onze do Ano da Liga 2025/26, escolhido através de uma votação entre os capitães e treinadores do campeonato, e o Benfica registou uma ausência inédita: nenhum jogador do plantel das águias conseguiu garantir uma vaga na equipa ideal da prova. Este facto histórico espelha a falta de consistência e o apagão competitivo que afetaram a equipa principal ao longo dos meses.
A escolha do Onze do Ano ignorou por completo as principais figuras da Luz. Nem mesmo os golos de Rafa Silva, a liderança de Otamendi ou a qualidade de Anatoliy Trubin — que continua a ser fustigado pelo assédio do Tottenham — foram suficientes para convencer os líderes das equipas adversárias. Para os analistas, este deserto de distinções oficiais é o resultado natural de uma equipa que demonstrou falta de agressividade tática e que falhou nos momentos decisivos, confirmando que o planeamento inicial da temporada ficou aquém das expectativas.
Este veredicto da Liga cai como uma autêntica bomba nos bastidores da Luz, poucos dias após uma Assembleia Geral escaldante. Rui Costa, fustigado pelas críticas devido ao arrastar das decisões desportivas, vê o clube perder o prestígio nas escolhas oficiais do campeonato. Esta ausência dá ainda mais eco às contestações em torno da gestão do talento do clube, deixando a Direção sob um clima de enorme pressão e sufoco político, obrigando a SAD encarnada a acelerar uma reestruturação profunda para dar uma resposta imediata na próxima época.
Este Onze do Ano serve também de aviso e diagnóstico para o novo comando técnico que está prestes a assumir as rédeas do clube. Com Marco Silva apontado para decidir o seu futuro e Vítor Vinha com proposta para integrar o banco de suplentes, a nova equipa técnica sabe perfeitamente que terá de fazer uma verdadeira revolução. A estrutura precisa de dotar o plantel de jogadores com estofo de campeão, focando as atenções no mercado de transferências, onde as investidas por reforços procuram devolver a qualidade e a competitividade ao futebol encarnado.
O cenário de deserto na Luz choca de frente com o fulgor exibido pelos rivais nas escolhas oficiais. O FC Porto celebra as distinções de Jakub Kiwior e Alberto Costa no Onze do Ano, colhendo os frutos da estabilidade de homens como Alan Varela, enquanto o Sporting planeia o futuro com tranquilidade, sabendo que as suas principais joias dominam as atenções da Liga. O Benfica, que surge em destaque no ranking dos clubes mais populares do mundo a nível digital, precisa de perceber que a popularidade na internet não substitui o mérito e os troféus no relvado.
Ficar fora do Onze do Ano da Liga Portugal é um sinal de alerta vermelho que o Benfica não pode ignorar. Um clube com a dimensão, a história e o orçamento das águias tem a obrigação de colocar os seus ativos na montra de elite do futebol nacional. Este deserto de prémios tem de servir de lição para a SAD: o futuro do clube só se constrói com planeamento rigoroso e exigência máxima. É tempo de fechar a era da indefinição, entregar o comando do plantel e garantir que na próxima temporada o manto sagrado volte a estar representado no topo do futebol português.