A mais recente reflexão sobre o atual panorama do SL Benfica coloca em evidência as profundas assimetrias entre o sucesso da formação no Seixal e a instabilidade que reina nos gabinetes da SAD na Luz, estabelecendo um paralelismo histórico com o número 15 — emblemático tanto para o recente título nacional de râguebi das águias como para as transações financeiras do clube.
A última conferência de imprensa de José Mourinho, realizada na Amoreira após a vitória por 3-1 diante do Estoril, serviu de palco para uma despedida ruidosa. O técnico deixou claro que o Benfica Campus oferece todas as condições para a equipa principal vencer, contrastando essa realidade com a gestão política que se vive na “Porta 18”. Contudo, o “Special One” evitou assumir que as suas próprias movimentações nos bastidores agravaram a paralisia no planeamento desportivo liderado por Mário Branco.
Ciente do interesse e das manobras eleitorais em Madrid, Mourinho utilizou a proposta de renovação apresentada pela Direção encarnada para inverter o jogo a seu favor. O impasse coloca Rui Costa numa posição de extrema fragilidade: com o contrato do treinador blindado, a SAD vê-se num beco sem saída onde o cenário de ter Mourinho a cumprir o último ano de contrato na Luz é considerado institucionalmente insustentável.
Perante a perda de margem para um acordo amigável, o futuro a curto prazo do Benfica parece estar dependente do desfecho das eleições no Real Madrid. A vitória de Florentino Pérez surge como o cenário ideal para a Direção da Luz, uma vez que garantiria o encaixe do cheque de 15 milhões de euros relativos à cláusula de rescisão do técnico português — curiosamente, o mesmo valor pelo qual Jorge Mendes negociou, no passado, promessas do Seixal como Bernardo Silva, João Cancelo, Hélder Costa ou Ivan Cavaleiro.