Terça-feira, Junho 9, 2026
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Sérgio Conceição admitiu que o Benfica teve interesse na sua contratação quando Luís Filipe Vieira era presidente

Sérgio Conceição admitiu que seria difícil assumir o comando técnico do Benfica devido ao seu passado ligado ao FC Porto, mas recusou fechar totalmente essa porta no futuro. Em entrevista à Maisfutebol/CNN/TVI, revelou que Luís Filipe Vieira, antigo presidente e candidato às últimas eleições encarnadas, manifestou interesse em contar consigo caso regressasse à liderança do clube.

«Muito difícil perante aquilo que é o meu passado em Portugal. Era difícil, mas não posso dizer nunca, porque sou um profissional do futebol. Neste momento sinto que é difícil outro clube em Portugal a não ser o FC Porto. Não vou desmentir que havia interesse de Luís Filipe Vieira em falar comigo para ir treinar o Benfica se fosse eleito, mas nunca se avançou de uma simples conversa informal», afirmou.Futebol

O treinador revelou ainda ter recusado várias propostas nos últimos tempos, incluindo a oportunidade de orientar uma seleção atualmente presente no Mundial.

«Tive a possibilidade de treinar, antes do Al Ittihad, uma seleção que está no Mundial. Não aceitei. Tive um convite quando saiu o Tedesco da Bélgica. Tive dois clubes franceses há bem pouco tempo. A minha carreira, neste momento, passará mais por fora de Portugal», declarou.

Durante a entrevista, Conceição explicou também por que razão decidiu falar publicamente sobre a sua saída do FC Porto, ocorrida há dois anos.

«A minha saída não foi fácil a todos os níveis, ligação de sete anos, fim de um ciclo de alguém que me marcou muito, que foi Jorge Nuno Pinto da Costa», referiu.

Sobre as passagens pelo Al Ittihad e pelo Milan, destacou as diferenças encontradas no futebol saudita e o balanço positivo da experiência em Itália.

«Na Arábia foi muito difícil. Cheguei depois de um ano positivo do Al Ittihad. Ganharam o campeonato, a King Cup… Saio do Al Ittihad com uma experiência diferente. O querer é uma coisa, o fazer é diferente. Não estão habituados a treinar durante o dia. É uma realidade completamente diferente. Milan? Os seis meses foram bastante interessantes.»

Num dos momentos mais emocionais da conversa, o técnico recordou os pais, que perdeu ainda jovem, e a influência que tiveram na sua formação.

«Os sacrifícios foram muitos ao longo da nossa vida. Tive a oportunidade de estar 16 anos com o meu pai, com a minha mãe 18. Foram ensinamentos fantásticos. Mesmo nos silêncios dele, ensinava. Cheguei a trabalhar com ele nas férias da escola. Os conselhos que demos… tenho cinco filhos. Todos bem formados, o primeiro tem 11 anos, mas vai pelo mesmo caminho. Foi um trajeto difícil. O meu pai queria que acabasse os estudos para ir trabalhar com ele. Não via futebol. Se me elogiava? Não. Também não me lembro de dizer ‘gosto de ti’. Mas demonstrava-o de outras formas», confessou.

Conceição explicou ainda que o futebol foi uma forma de homenagear os esforços da família e de ultrapassar as dificuldades vividas na juventude.

«Onde fui buscar a força? Cheguei ao FC Porto e fiquei no lar com alguns jogadores de outros países e cidades de Portugal. Num momento muito difícil, ia a Coimbra sempre que podia para levar algum dinheiro para ajudar. Mas não foi fácil esse percurso. Via o futebol como, não só algo que me podia dar uma satisfação enorme, e também poderem olhar para mim e verem que o sacrifício deles valeu a pena. Penso nisso todos os dias, em cada título. Quando choro penso nos meus pais e no meu irmão, nas pessoas que me ajudaram e estão presentes. Não valorizo o dinheiro, valorizo projetos e vitórias», concluiu.

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