Novos detalhes sobre o trágico homicídio seguido de suicídio que abalou a Marinha Grande na passada quinta-feira, 9 de abril de 2026, revelam o estado de desespero de Luciano Gomes, o inquilino de 61 anos.
Antes de pôr termo à vida, o homem, natural de Leiria e trabalhador numa fábrica de moldes local, deixou uma carta manuscrita onde detalhava o destino dos seus pertences. No documento, Luciano expressou o desejo de que todos os seus bens pessoais, bem como o seu gato, fossem herdados pelo seu irmão gémeo.
O crime foi motivado por um conflito imobiliário que se arrastava há algum tempo. Luciano não aceitava a proposta de Carlos Logrado, o senhorio de 63 anos, que pretendia aumentar a renda do apartamento no sétimo andar para quase o dobro do valor atual. O confronto físico terá ocorrido na cozinha da habitação, onde o ex-vereador foi atingido com um golpe fatal de faca no tórax. Após o ataque, Luciano Gomes lançou-se da janela, tendo o seu corpo sido encontrado no terraço do primeiro piso.
A tragédia deixou marcas profundas em ambas as famílias. Luciano Gomes deixa uma filha que frequenta o ensino universitário, enquanto a comunidade recorda Carlos Logrado pelo seu percurso público. Como homenagem ao antigo autarca, a Câmara Municipal da Marinha Grande decretou um dia de luto municipal, sublinhando o “sentido de responsabilidade, empenho e compromisso com a comunidade” que Logrado demonstrou durante o seu mandato de 2013 a 2017.
Embora o incidente tenha ocorrido ao final da tarde de quinta-feira, os corpos só foram localizados pelas autoridades na madrugada de sexta-feira, após o alerta dado pela família do empresário. A Polícia Judiciária continua a analisar a carta deixada pelo agressor e os contornos do diferendo, num caso que coloca em evidência as consequências extremas de tensões ligadas ao mercado habitacional.