Um crime chocante de sequestro e maus-tratos abalou a pequena localidade de Hagenbach, no noroeste da França, onde um menino de nove anos foi resgatado após viver mais de um ano confinado no interior de uma carrinha.
A vítima foi descoberta por vizinhos que, intrigados por “barulhos de criança” vindos de um pátio privado, alertaram as autoridades. O cenário encontrado pelo Ministério Público foi descrito como desumano: a criança estava nua, em posição fetal sobre um monte de lixo e rodeada por excrementos. O estado de saúde do menino era crítico, apresentando sinais graves de desnutrição, palidez extrema e uma incapacidade física de andar devido ao longo período de imobilidade.
As investigações revelaram que o menino não tomava banho desde o final de 2024 e era obrigado a utilizar garrafas e sacos de lixo para as suas necessidades fisiológicas. Embora tivesse frequentado a escola até ao ano letivo de 2023/24, a família conseguiu ocultar o seu desaparecimento das autoridades escolares ao alegar que a criança passaria a ter ensino doméstico, o que levou ao arquivamento do seu processo. Vizinhos confirmaram que o menor simplesmente “desapareceu de um dia para o outro”, enquanto o pai continuava a residir numa casa próxima com a companheira e outras duas filhas, que não sofriam o mesmo tratamento.
O pai da criança, um homem de 43 anos, admitiu os factos durante o interrogatório, alegando uma justificação insólita: mantinha o filho trancado na bagageira desde novembro de 2024 para o “proteger” da madrasta, que alegadamente pretendia internar o menino num hospital psiquiátrico. Contudo, exames médicos realizados após o resgate não detetaram qualquer problema do foro mental na criança. O progenitor afirmou ainda que, num curto período em maio de 2025, permitiu que o filho entrasse no apartamento enquanto o resto da família estava ausente em férias, voltando a encerrá-lo logo de seguida.
Atualmente, o pai encontra-se em prisão preventiva, enquanto a madrasta, de 37 anos, foi indiciada por vários crimes, incluindo maus-tratos por omissão, apesar de negar ser cúmplice direta do sequestro. O Ministério Público continua a investigar até que ponto os restantes membros do agregado familiar tinham conhecimento da situação. Quanto à vítima e às outras duas menores que residiam na casa, ficaram todas sob a proteção direta das autoridades francesas, iniciando agora um longo processo de recuperação física e psicológica.