Os pais da jovem de 16 anos alegadamente violada por quatro rapazes em Loures assinaram uma das queixas contra Cristina Ferreira devido às declarações proferidas no programa “Dois às Dez” da TVI, avança o Expresso.
Em causa está um comentário da apresentadora durante a emissão de terça-feira, 14 de abril, onde estava a ser discutido o início do julgamento dos quatro jovens acusados de violação e pornografia de menores.
“Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve – claro que tem de ouvir – mas alguém entende aquele: ‘Não quero mais?’”, afirmou Cristina Ferreira.
Segundo uma fonte próxima do processo, os pais assinaram uma das participações na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e estão a “ponderar” avançar com uma queixa-crime contra Cristina Ferreira, mas a decisão ainda não está tomada.
Cristina Ferreira gerou polémica nas redes sociais após os comentários que proferiu sobre o caso e levou à apresentação de várias queixas junto da ERC, incluindo do Movimento Democrático de Mulheres.
A ERC já confirmou que recebeu até ao momento 3.300 participações relativas às declarações da apresentadora.
Na noite de quarta-feira, a TVI emitiu um comunicado, onde defendeu Cristina Ferreira: “Lamenta-se a forma, o tom, a descontextualização e a manipulação grosseira com que as palavras da apresentadora estão a ser interpretadas e disseminadas”.
Já a própria apresentadora reagiu à polémica apenas durante a tarde desta quinta-feira, rejeitando “qualquer forma de crime ou abuso” e defendendo que as suas palavras foram “proferidas no âmbito de uma pergunta aos comentadores da Crónica Criminal” não sendo, portanto, a “sua opinião pessoal sobre o tema”.
“Seja como for, independentemente da interpretação que cada pessoa possa ter retirado das minhas palavras, nunca tive qualquer intenção de justificar o alegado comportamento em causa. Muito menos, tive intenção de diminuir o sofrimento da alegada vítima”, frisou.
O caso remonta a 12 de fevereiro de 2025, quando a vítima, de 16 anos, se encontrou com os quatro arguidos, então com canais nas redes sociais e públicos significativos, num jardim público em Santo António dos Cavaleiros, concelho de Loures.
De acordo com a acusação, os atos sexuais, gravados com o telemóvel, terão começado de forma consensual no jardim público e continuado, contra a vontade da vítima, numa garagem próxima.
Segundo a acusação do Ministério Público, os arguidos têm atualmente entre 18 e 21 anos e respondem por um crime de violação agravado e 27 crimes de pornografia de menores agravados.
Um dos ‘influencers’ está ainda acusado de três crimes de ofensa à integridade física e outro de um da mesma natureza.