André Villas-Boas aproveitou o editorial de abril da revista Dragões para fazer um balanço exigente do momento do FC Porto, deixando críticas ao Sporting e sublinhando que nada está ganho no campeonato.
O presidente recordou a eliminação na Taça de Portugal, referindo-se à prova como “Taça Sporting”: “Na ‘Taça Sporting’, frente ao Sporting, ficámos pelo caminho. E, mais uma vez, ficou exposto aquilo que temos vindo a sentir durante toda a época: o FC Porto tem de superar não só adversários, mas também o lado imprevisível e caótico do jogo, em mais um encontro em que apetece dizer: ‘É raro, mas acontece muito’”.Jogos
Sobre o campeonato, afastou qualquer euforia: “Por isso digo-vos com total clareza: no campeonato temos de dar tudo. No FC Porto, só celebramos quando ganhamos. Assim fomos habituados e assim fomos sempre temidos. Aqui não há euforia antes do tempo. Há exigência, há concentração, há compromisso e, só há uma certeza, se quisermos mesmo vencer, temos de fazer ‘das tripas coração’ nestes últimos três jogos para alcançarmos o que tanto sonhamos”.
Reforçou ainda a necessidade de foco total na reta final: “O campeonato está aqui. O último passo está aqui. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. E a resposta tem de ser a mesma de sempre: foco, união e trabalho. Sem festa. Sem distrações. Sem ruído, mas com necessidade de toda a vossa força. Conto convosco. Sempre”.
Villas-Boas também destacou a atitude da equipa na Liga Europa, apesar da eliminação: “Na Liga Europa fomos eliminados, sim. Mas quem viu o jogo, sabe que o grupo mostrou o que é ser Porto. Jogar com 10 durante cerca de 80 minutos e ver jogadores a dar tudo, a correr até ao limite, a sofrer e a acreditar que ainda era possível inverter uma eliminatória é a melhor prova do que esta equipa tem sido até agora. Uma equipa à Porto, que não foge ao risco, não foge à responsabilidade e não se esconde atrás de desculpas”.
No plano interno, elogiou a formação e o futebol feminino, deixando parabéns à estrutura liderada por José Tavares: “O caminho que estamos a construir é sério. E, no FC Porto, é isso que interessa: seriedade, método e continuidade”, e destacou a subida das mulheres à I Liga: “A subida à Primeira Liga é um feito incrível”.
Nas críticas ao Sporting, reagiu à narrativa sobre o VAR: “Há quem ande a vender a ideia de que ‘se o VAR existisse mais cedo’ teriam ganho mais títulos no seu clube de coração. É um lamento recorrente e revelador” e contrapôs com o historial portista: “com VAR ou sem VAR, houve uma realidade que esses ‘lesados’ tiveram de engolir: no seu tempo o FC Porto ganhou a Taça dos Campeões Europeus, ganhou a Champions League, venceu a Taça UEFA, ganhou a Liga Europa e foi vencedor da Taça Intercontinental por duas vezes! Foi campeão nacional, bicampeão, tricampeão, tetracampeão, pentacampeão”.
Apontou ainda ao comportamento dos rivais: “E esse trauma, pelos vistos, não passa. Dá coceira. Incomoda” e criticou a entrada no Dragão: “a escolha de uma entrada discreta, pela porta das traseiras, para evitar encarar de frente o peso da História do FC Porto”.
Sobre o caso do andebol, garantiu: “o FC Porto está absolutamente tranquilo e a cooperar com a justiça” e avisou: “os intervenientes que optaram pela injúria e pela tentativa de manchar a Instituição responderão por isso até às últimas consequências”.
Deixou ainda críticas ao ambiente no futebol português: “Tudo isto chegou ao ponto de mendigarem reuniões urgentes ao mais alto nível político” e acusou a existência de pressão mediática: “Isto, sim, parece ser o novo ‘sistema’ do futebol português: condicionar perceções, condicionar ambientes, condicionar decisões”.
Por fim, defendeu Francesco Farioli dos ataques: “Farioli trabalha, dá a cara, lidera, arrisca, assume. E, por isso mesmo, torna-se alvo”, garantindo proteção total: “o FC Porto protege os seus. E protege-os com firmeza, porque aqui, ‘no Norte’, os nossos são intocáveis”.