A tarde de terça-feira, 24 de março de 2026, trouxe um desenvolvimento decisivo no sistema judicial português relativo a um dos casos que mais comoveu o país nos últimos anos. O Ministério Público (MP), junto do Tribunal da Relação do Porto, submeteu um parecer em sede de recurso onde afirma existir prova sólida de que Fernando Valente foi o autor do homicídio de Mónica Silva, a grávida da Murtosa desaparecida em 2023.
Neste documento, os procuradores são taxativos ao solicitar a pena máxima de 25 anos de cadeia para o arguido. O MP defende que o recurso apresentado deve ter provimento total, sustentando que os indícios recolhidos ao longo da investigação — apesar da ausência do corpo da vítima — são suficientes para demonstrar a culpabilidade de Fernando Valente no crime de homicídio qualificado.
Este parecer surge num momento em que a família de Mónica Silva continua a clamar por justiça e por respostas sobre o paradeiro do cadáver. A convicção do Ministério Público de que a prova é clara coloca agora a decisão nas mãos dos juízes desembargadores da Relação do Porto, que terão de validar se os elementos circunstanciais e as perícias realizadas são bastantes para aplicar a moldura penal máxima prevista na lei portuguesa.
A gravidade das conclusões apresentadas pelo MP reforça a tese de que o crime terá sido planeado e executado com o intuito de ocultar a gravidez da vítima, um cenário que tem estado no centro da acusação desde o início do processo. Com este pedido de 25 anos de prisão, o caso entra na sua fase mais crítica, podendo ditar o desfecho judicial de uma tragédia que marcou profundamente a comunidade da Murtosa e da região de Aveiro.