O julgamento de um dos crimes mais mediáticos e chocantes do último ano teve início esta quarta-feira, 25 de março de 2026, no Tribunal de Aveiro.
O caso remonta a outubro de 2025, quando Susana Gravato, de 49 anos, vereadora na Câmara Municipal de Vagos, foi morta a tiro na sua própria residência. O principal suspeito é o seu filho mais novo, de apenas 14 anos, que terá utilizado a arma de fogo do pai para cometer o crime.
A primeira sessão do julgamento trouxe revelações cruciais que desmentem a versão inicial dos factos. Ao contrário do que foi veiculado aquando do crime, a arma não foi retirada de um cofre de segurança. Ficou agora explicitado que a pistola estava guardada num roupeiro, enquanto as munições se encontravam na mesa de cabeceira. Esta facilidade de acesso permitiu que o jovem, conhecedor da localização de ambos, planeasse o ataque e tentasse, posteriormente, simular um assalto à habitação para despistar as autoridades.
O cenário descrito em tribunal reforça a tese de premeditação. O jovem terá combinado uma fuga prévia com um amigo da mesma idade, que também compareceu como testemunha. Susana Gravato foi encontrada em paragem cardiorrespiratória pelo marido e, apesar das manobras de reanimação, o óbito acabou por ser confirmado pouco depois. O filho, que se encontra em regime fechado num Centro Educativo, chegou ao tribunal acompanhado pela Polícia Judiciária demonstrando uma postura que surpreendeu os presentes: sorridente e sem sinais visíveis de remorso.
Este caso continua a gerar uma onda de consternação em Vagos e no país, não só pela violência do ato, mas pela frieza demonstrada pelo arguido perante o coletivo de juízes e o próprio pai. As próximas sessões serão determinantes para analisar os relatórios psicológicos do jovem e perceber as motivações profundas que levaram um adolescente de 14 anos a atentar contra a vida da progenitora de forma tão calculada.